Avaliação do sono em mulheres na menopausa: risco de apneia obstrutiva do sono e sua relação cardiometabólica.
Nome: BÁRBARA CAETANO FERREIRA
Data de publicação: 30/03/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ADRIANA MADEIRA ALVARES DA SILVA | Examinador Interno |
| MARA REJANE BARROSO BARCELOS | Coorientador |
| SONIA ALVES GOUVEA | Presidente |
| VINÍCIUS MENGAL | Examinador Externo |
Resumo: A menopausa é um período de alterações cardiovasculares como hipertensão e a piora de parâmetros respiratórios do sono que podem estar associados a apneia obstrutiva do sono (AOS) e mudanças cardiometabólicas. Para isso, investigou-se uma amostra de 120 participantes, distribuídas igualmente entre grupos com menopausa e sem menopausa (n = 60 em cada grupo), submetidas à caracterização antropométrica e hemodinâmica, à avaliação por questionários do sono e polissonografia tipo IV para risco de AOS. As avaliações foram aprovadas pelo CEP/UFES (no 6.100.927 (05/05/2023), CAAE 68609822.0.0000.5060). Foram avaliados Pressão arterial média (PAM), Pressão arterial sistólica (PAS), índice de massa corporal (IMC), índice de dessaturação de oxigênio (IDO), carga hipóxica e escore STOP-Bang. As análises estatísticas foram feitas com teste de normalidade Shapiro–Wilk e teste de Wilcoxon para amostras independentes, considerando significativo p < 0,05, além do teste de correlação de Spearman com de 5%. A comparação entre grupos revelou que mulheres na menopausa apresentaram valores
significativamente mais elevados de IMC, PAS, PAM, IDO e escore STOP-Bang, com tamanhos de efeito de magnitude moderada a elevada para idade, PAS, IDO e STOP- Bang, indicando diferenças consistentes em parâmetros antropométricos, hemodinâmicos e respiratórios do sono. O IDO foi maior no grupo com menopausa (média de 8,40 eventos/h, mediana de 4,70) em comparação ao grupo sem menopausa (média de 1,91 eventos/h, mediana de 1,30), sugerindo pior estabilidade respiratória e maior frequência de eventos de dessaturação noturna entre as mulheres menopausadas. As análises de correlação mostraram associação positiva moderada entre IMC e IDO. No grupo com menopausa, identificou-se ainda correlação positiva entre idade e IDO e correlação fraca, porém significativa, entre PAM e IDO sugerindo que a piora da dessaturação noturna se associa a maior carga hemodinâmica apenas neste grupo. Adicionalmente, o escore STOP-Bang apresentou correlação positiva com o IDO nos dois grupos, com magnitude moderada nas mulheres em menopausa, o que aponta boa capacidade de triagem clínica do instrumento para risco de AOS nesse perfil populacional. Em conjunto, esses achados indicam que a menopausa se relaciona a um padrão mais desfavorável de parâmetros cardiometabólicos e respiratórios do sono. A associação entre piora subjetiva do sono, maior risco clínico para AOS, maiores IDO e a relação com IMC e PAM sugerem que os distúrbios respiratórios do sono devem ser considerados parte importante da saúde cardiovascular e metabólica em mulheres na menopausa. Dessa forma, o estudo
demonstra que o rastreio integrado do sono, incluindo instrumentos clínicos, subjetivos integrados a testes domiciliares para AOS, podem constituir estratégias úteis para prevenção e monitoramento de risco cardiometabólico nesse grupo.
