AVALIAÇÃO DO EFEITO DA ESTIMULAÇÃO CÉREBRO-ESPINAL SIMULTÂNEA, IMAGEM MOTORA, REALIDADE VIRTUAL E PEDALADA EM PACIENTES PÓS-AVC
Nome: SHEIDA MEHRPOUR
Data de publicação: 16/09/2024
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ADRIANO DE OLIVEIRA ANDRADE | Coorientador |
| ANTONIO ALBERTO RIBEIRO FERNANDES | Examinador Interno |
| BRENO VALENTIM NOGUEIRA | Examinador Interno |
| CAROLINE CUNHA DO ESPÍRITO SANTO | Examinador Externo |
| DENIS DELISLE RODRÍGUEZ | Examinador Externo |
Páginas
Resumo: A tecnologia na medicina está transformando o cenário da saúde ao aprimorar diagnósticos, tratamentos e gestão de pacientes. Com a integração de ferramentas e sistemas avançados, os profissionais de saúde podem oferecer cuidados mais precisos e oportunos. Inovações como telemedicina, inteligência artificial e registros eletrônicos de saúde otimizam processos e melhoram a comunicação entre os prestadores. Além disso, a tecnologia facilita a medicina personalizada, permitindo que os tratamentos sejam adaptados às necessidades únicas de cada paciente. A evolução contínua da tecnologia médica não apenas aumenta a eficiência, mas também expande o acesso aos cuidados de saúde, garantindo que os pacientes recebam os melhores resultados possíveis. À medida que a tecnologia continua a avançar, seu papel na medicina se tornará ainda mais crucial na formação do futuro da saúde. O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a principal causa de deficiência física adquirida em humanos e a segunda maior causa de mortalidade global. A tecnologia na reabilitação do AVC desempenha um papel vital na melhoria dos resultados de recuperação dos pacientes. Ferramentas avançadas, como realidade virtual, robótica, Interface Cérebro-Computador baseada em Imaginação Motora (ICC-IM), técnicas de Estimulação Cerebral Não Invasiva e plataformas de telemedicina oferecem maneiras
inovadoras de envolver os pacientes em seu processo de reabilitação. A realidade virtual pode simular cenários da vida real, ajudando os pacientes a praticar atividades diárias em um ambiente seguro, enquanto os exoesqueletos robóticos auxiliam na
reeducação das funções motoras por meio de movimentos repetitivos. A telemedicina possibilita sessões de terapia remota, fornecendo suporte contínuo e flexibilidade para que os pacientes se envolvam em sua recuperação em casa. Além disso, dispositivos vestíveis permitem o monitoramento em tempo real do progresso, garantindo que as terapias de reabilitação possam ser ajustadas para atender às necessidades individuais de forma eficaz. No geral, esses avanços tecnológicos estão reformulando
a reabilitação do AVC, tornando-a mais personalizada, acessível e eficiente. Técnicas não invasivas como a Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC), a Estimulação Espinhal por Corrente Contínua (EECC) estão sendo cada vez mais
aplicadas na reabilitação de AVC para melhorar os resultados da recuperação. Esses métodos atuam modulando a atividade neuronal em regiões específicas do cérebro, promovendo a neuroplasticidade e facilitando a recuperação da função motora. Ao
melhorar a comunicação entre áreas cerebrais afetadas pelo AVC e aquelas responsáveis pelo movimento, a estimulação não invasiva pode ajudar os pacientes a recuperarem habilidades perdidas de forma mais eficaz. À medida que a pesquisa avança, essas técnicas oferecem promessas para otimizar estratégias de reabilitação e melhorar a qualidade de vida dos sobreviventes de AVC. O objetivo principal deste estudo é desenvolver novos métodos de reabilitação acessíveis e com baixa custo para pacientes com AVC subagudo a crônico, visando aumentar a neuroplasticidade e melhorar a função motora através de métodos como ETCC mais EECC, RV, IM, e exercício de pedalar . A pesquisa é dividida em três Capítulos distintos para analisar tanto os efeitos prolongados (Capítulo I) quanto os imediatos (Capítulos II e III) da intervenção. No Capítulo I, o desenho do estudo foi configurado com tratamento alternativo, incluindo três fases: baseline, estimulação sham e estimulação real. Já nos capítulos II e III, o desenho foi estabelecido como uma avaliação pré e pósestimulação. No primeiro capítulo foram selecionados quatro pacientes hemiparéticos no estágio subagudo pós-AVC para o experimento. Para os Capítulos II e III, utilizase os mesmo experimento e participantes, mas com metodologias de avaliação diferentes, incluindo também quatro pacientes e quatro participantes saudáveis (grupo controle). Para cada experimento os participantes foram randomizados em dois grupos para receber estimulação cérebro-espinhal conforme dois protocolos diferentes (convencional e periódico). Os participantes do grupo de estimulação convencional receberam estimulação por 20 minutos, enquanto aqueles no grupo de estimulação periódica passaram por duas sessões repetitivas de estimulação de 13 minutos cada, separadas por um período de descanso de 20 minutos. O eletrodo ânodo foi posicionado sobre a região M1 do hemisfério afetado, guiado pelo Sistema Internacional 10/20. O eletrodo cátodo foi posicionado centralmente sobre o processo espinhoso da vértebra torácica em T11 (T10-T12) por palpação. No Capítulo I os resultados foram avaliados utilizando eletromiografia de superfície (do inglês, surface Electromyography - sEMG), Contração Voluntária Máxima (CVM), Avaliação de Extremidade Inferior por Fugl-Meyer (do inglês, Fugle Mayer Assessment – Lower Extremity -- FMA-LE), miniBESTest, goniometria do movimento de dorsiflexão, teste de caminhada de 10 metros (do inglês, 10 Meter Walk Test - 10MWT) e velocidade de pedalada além de escalas do AVC. Nos experimentos dos Capítulos II e III, além da
estimulação, utilizou-se Realidade Virtual (RV) para melhorar a Imagética Motora (IM), avaliando o efeito imediato combinado na modulação das bandas Mu e Beta do cérebro em pacientes pós-AVC e indivíduos saudáveis. Os resultados do segundo
experimento foram analisados utilizando medidas quantitativas de eletroencefalografia (EEG), tais como a topografia cortical baseada em valores médios de amplitude, parâmetros de conectividade cerebral, como o Valor de Sincronização de Fase (Phase Locking Value -- PLV) e Coerência ao Quadrado de Magnitude (Magnitude Squared Coherence -- MSC). No Capítulo III utilizou-se o parâmetro de Hjorth (para avaliar atividade, mobilidade e complexidade), ao longo de duas sessões de avaliação pré e pós-estimulação. Os resultados do experimento apresentado no Capítulo I indicaram melhorias significativas na contração muscular, função motora e na marcha dos pacientes. Os participantes do grupo que seguiu o protocolo de estimulação convencional demonstraram avanços na contração do músculo tibial, conforme avaliado por sEMG e goniometria de dorsiflexão do tornozelo. Por outro lado, os que participaram do protocolo de estimulação periódica mostraram melhorias em medidas de função motora, como FML-LE, MiniBESTest e na marcha de 10 metros. Os achados do experimento do Capítulo II revelaram diferentes padrões de
conectividade cerebral sob a combinação de estimulação cerebelo-espinhal, em conjunto com RV e IM, tanto em pacientes quanto em controles saudáveis, ressaltando a necessidade de tratamentos personalizados para pacientes pós-AVC. Os resultados do Capítulo III mostraram que a banda beta é mais sensível à modulação dos métodos combinados em comparação com a banda Mu, que foi mais reativa em pacientes do que em controles saudáveis. O parâmetro de Atividade teve maior influência na modulação das bandas Mu e Beta, tanto em pacientes quanto em controles saudáveis. Por outro lado, enquanto nos pacientes o parâmetro de Mobilidade mostrou maior influência nos controles saudáveis, o parâmetro de Complexidade foi mais sensível. Devido à variabilidade nos resultados e ao pequeno tamanho da amostra, foi difícil diferenciar os efeitos dos dois protocolos de estimulação nos Capítulos II e III.
