POTENCIAL PROGNÓSTICO DE CÉLULAS INFLAMATÓRIAS E PD-L1 SOLÚVEL EM CARCINOMA EPIDERMOIDE DE CABEÇA E PESCOÇO

Nome: CAMILA BATISTA DANIEL

Data de publicação: 16/04/2024

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
SANDRA LUCIA VENTORIN VON ZEIDLER Orientador

Resumo: A imunossupressão é reconhecida como uma das marcas registradas do câncer e tem sido associada a pior desfecho. No carcinoma epidermoide de cabeça e pescoço (CECP), a imunossupressão é uma característica marcante do tumor e pode ser mediada por células inflamatórias imunossupressoras e pela ação de PD-L1. Dada sua participação neste processo, o presente estudo teve como objetivo descrever o impacto prognóstico de componentes inflamatórios no tecido tumoral e no sangue periférico de pacientes com CECP. Para tanto, conduziu-se um estudo retrospectivo multicêntrico utilizando amostras biológicas e dados clínicos de pacientes com diagnóstico de carcinoma epidermoide de cabeça e pescoço recrutados em dois centros no Brasil e no Reino Unido e indivíduos saudáveis. Para análise do infiltrado inflamatório, foram utilizadas lâminas de tecido tumoral coradas em hematoxilina e eosina e imuno-histoquímica para análise de PD-L1 e quantificação de neutrófilos. Contagens absolutas de leucócitos foram recuperadas de hemogramas pré tratamento disponíveis em prontuários médicos. Para avaliar o valor prognóstico de PD-L1 em biópsia líquida, foram utilizadas amostras de soro e plasma obtidas de pacientes e indivíduos saudáveis para quantificação de PD-L1 solúvel (sPD-L1) por ELISA. Amostras de tecido tumoral fresco foram usadas para analisar os níveis de expressão gênica de CD274 pela técnica de RT-qPCR. Além disso, a expressão de PD-L1 por citometria de fluxo em linhagens celulares de CECP foi analisada e os níveis de sPD-L1 no sobrenadante do cultivo quantificados. A análise do microambiente tumoral mostrou que baixos níveis de linfócitos se associam a pior sobrevida global e sobrevida livre de doença, o que não foi observado em neutrófilos associados ao tumor e PD-L1 tumoral. Entretanto, quando analisados em conjunto em um sistema de pontuação, observou-se que baixos níveis de linfócitos, alta expressão de PD-L1 e alta infiltração de neutrófilos, se associam a pior desfecho. No sangue, a elevada razão de neutrófilos e linfócitos (RNL) também foi associada a pior sobrevida, porém não foi correlacionada com elementos do microambiente tumoral. Elevados níveis da proteína sPD-L1 foram associados à sobrevida global reduzida, porém não foi encontrada relação entre os níveis de sPD-L1 no sangue e a expressão de PD-L1 no tecido tumoral, determinada por imuno-histoquímica e por RT-qPCR. Em contraste, o estudo in vitro mostrou que os níveis de sPD-L1 liberados no sobrenadante são correlacionados com os níveis de expressão citoplasmática e membranar. Os dados mostraram ainda que os níveis de sPD-L1 em pacientes foram correlacionados positivamente com a quantidade de leucócitos, neutrófilos e monócitos no sangue periférico. Em conjunto, os resultados deste estudo ressaltam o potencial prognóstico de marcadores do microambiente tumoral analisados de maneira combinada, em sistema de pontuação, como forma de fornecer um panorama mais abrangente do comportamento tumoral, destacando eventos importantes, como a imunossupressão. Estes resultados também destacam o potencial prognóstico de PD-L1 detectado por biópsia líquida em CECP, porém evidencia que os níveis detectados no sangue não necessariamente correspondem ao que é observado no tumor. Desse modo, acredita se que deva ser analisado como um marcador independente cuja ação imunossupressora é realizada a nível sistêmico.

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